domingo, 9 de julho de 2017

O (des)romance do tempo



Foi-se o tempo onde a flor era colhida no campo com as próprias mãos para ser entregue ainda com a raiz viva e cheiro de terra, quase uma poesia em forma de gesto. Foi-se a época onde o amor não era jogo e ao invés de um mero pino de xadrez, éramos tratados feito gente, de carne, osso e movimento. Foi-se o tempo onde amar era feito dança, onde cada passo sincronizado era comemorado e cada solo era admirado. Foi-se o tempo onde cada pessoa sabia quem era si e não exigia que o outro viva numa caixa por egoísmo disfarçado de cuidado. Foi-se tempo onde os pés não precisavam tocar o chão e cada nota da canção arrepiava, de maneira intensa e suave, feito o branco algodão. Foi-se o tempo onde a mesa cheia de gente era mais importante do que ego inflado, o poder e o desejo de ser venerado. Foi-se o tempo! Não sei se por destino ou crueldade, só sei que não tem volta.



Douglas Duarte, 09 de Julho de 2017




quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O saldo negativo de amar literatura infantil é conservar no coração essa minha mania boba de superestimar a capacidade de gratidão das pessoas. Quando faço algo por alguém não espero “coisas” em troca, mas, confesso que sempre espero sentimentos. Talvez o erro não seja dos outros, seja meu. Eu que tenho que deixar de viver no asteróide B612 e encarar o mundo como ele realmente é. Para 2016: não ser movido por emoções. Para o resto dos anos: pensar mais em mim.

(Douglas Duarte)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Resposta ao meu mistério


“Mas o vazio tem o valor e a semelhança do pleno. Um meio de obter é não procurar, um meio de ter é o de não pedir e somente acreditar que o silêncio que eu creio em mim é resposta a meu mistério.”


(Clarice Lispector, “A Hora da Estrela”. Página 14)




Perdi bastante tempo procurando a resposta ao meu mistério. Enchi-me de teorias, pessoas, bebidas, opiniões, crenças. Engraçado que cada nova hipótese trazia consigo um alívio, uma sensação de que toda e qualquer dor cessaria através da resposta. Eu achava que a completude estava nisto: quanto menores as dúvidas, maior a proximidade do pleno. Mas comecei a ficar tão cheio, que o efeito foi rebote. Vi-me perdido nas minhas próprias teorias. Passei a sentir falta do vazio. É nele que encontramos quem realmente somos, quando silenciamos a voz do outros e nos atentamos a nossa. O vazio nos permite a leveza. Nossa verdade sobre nós mesmos é leve, só fica pesada quando nos olhamos com os olhos dos outros. O outro não tem as respostas aos nossos mistérios, elas estão no vazio, por isso ele se assemelha ao pleno.

Por Douglas Duarte

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Não era mais verde?


                                                                                                                                                                       Antes de tomar uma decisão, encontre onde está o seu desejo e qual a motivação. Não mude para ser como os outros, até porque, quase sempre, eles não são o que pensamos. 

Por Douglas Duarte



sexta-feira, 17 de julho de 2015

Distração

Quase sempre há um sinal dizendo quando devemos parar ou prosseguir, mas na maioria das vezes estamos (convenientemente) distraídos. Na vida e no trânsito, a maior parte dos acidentes acontecem por distração. A terapia tem um papel importante neste processo de despertar, mas nada como o desejo de enxergar os sinais. Este desejo é parte da cura, aprendi isso na prática, não na faculdade de psicologia ou no trabalho. Se um acidente acontece pela nossa decisão de fechar os olhos diante dos sinais, não somos nós as vítimas...


Por Douglas Duarte 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Balneário Camboriú, 27 de Abril de 2015. Manhã cinzenta, palco de dois suicídios.


Parece que a fragilidade do ser humano aumenta na medida em que o mundo tecnológico e científico se diz evoluir. Está tudo tão estranho...  O que antes era entendido como a última alternativa, hoje é tão comum. Segundo o relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde), foram registrados 11.821 suicídios no Brasil entre os anos de 2010 e 2012 (taxa de 6,0 para cada grupo de 100 mil habitantes). De acordo com o Mapa da Violência, Santa Catarina é o segundo estado em número de suicídios,
"O suicídio de de Dorothy Hale", de 1938 (Frida Kahlo). 
perdendo somente para o Rio Grande do Sul. Algo que me intriga, é que são justamente os Estados ditos com maior qualidade de vida do país – e na minha leiga opinião também seriam considerados, consequentemente, lugares com maior “qualidade de morte”. É um contraste incoerente, que muitas vezes se esconde pelo excesso de felicidade estampada por aí nas baladas, condomínios de luxo e colunas sociais.

Qual a relevância do dinheiro no meio disso tudo? E o consumismo, qual sua parcela de culpa?

Há que se considerar que o fenômeno suicídio é multicausal, portanto não podemos explicá-lo por um só fator, mas a sociedade consumista me parece eloquente dentre estes aspectos. Esta geração, de maneira geral, não sabe lidar com concertos. Tudo facilmente vira lixo, tudo é substituível. O diálogo é raro, não temos “tempo” para questionamentos, nem muito menos paciência (leia-se coragem) para enfrentar os conflitos. Se nos desagrada, simplesmente descartamos. O suicídio, em minha opinião, é a repetição deste mesmo comportamento. Num mundo onde tudo acontece imediatamente, é difícil aceitar que um problema não se resolva do dia para a noite, neste caso, a morte é a solução mais fácil.


“O suicídio demonstra que na vida existem males maiores que a morte.”
(Francesco Orestano, filósofo italiano.)





Por Douglas Duarte


quinta-feira, 12 de março de 2015

Alerta: vidros verdes espelhados e cristais austríacos podem causar cegueira






Há poucos dias assisti ao filme “Além da sala de aula” (em algumas traduções “Além do quadro negro”), estrelado pela atriz canadense Emily VanCamp. Trata-se de um drama baseado na história real da professora Stacey Bess, que aceitou a vaga de professora temporária numa escola de abrigo, com sala de aula improvisada para crianças e famílias sem teto, impedidas pelo Estado de se matricularem em escolas regulares por falta de documentação ou vacina. Além da falta de recursos, Bess precisou enfrentar o desafio de superar a frustração profissional de atuar onde há necessidade, não onde se deseja estar. Stacey teve a coragem e a sabedoria de usar o pouco tempo que tinha para fazer a diferença na vida daquelas famílias.

O filme terminou e a sensação era a de estar olhando para as ruínas deixadas pela passagem de um furacão. As emoções desorganizadas, os planos todos fora do lugar, sentimentos dicotômicos, pensamentos e desejos contraditórios.

Já faz oito meses que mudei para Balneário Camboriú e, como se sabe, o lugar é incrível, objeto de desejo de muita gente. A cidade se tornou um lugar de extremo glamour, povoado predominantemente por pessoas de alta renda. Assisto diariamente ao desfile de carros de luxo e egos inflados. Os eventos sociais também são muito intensos, recebo convites para festas quase todos os dias.

Ao mesmo tempo em que sinto um prazer imenso em estar inserido neste meio, tomo muito cuidado para que os vidros verdes espelhados dos arranha-céus ou os cristais austríacos dos lustres das mansões não ofusquem minha visão.

Não é uma apologia a simplicidade, muito menos um movimento anti-capitalista, mas também não podemos ignorar o fato de que somos suscetíveis a tragédia de se perder no meio do caminho e esquecer o que propusemos a fazer de nossas vidas.

Eu trabalho muito para usufruir o melhor do que o mundo tem a oferecer, mas também não posso permitir que isto me afaste da escolha que fiz de cuidar das pessoas. O consultório impecável com piso de mármore travertino, enfeites de murano e obras de arte na parede continua sendo um sonho, mas não vou permitir que isso me faça ignorar a fatia do mundo esquecida pela maior parte das pessoas. Ainda tem muita gente precisando de ajuda, dos mais pobres que não tem onde morar, aos miseráveis que moram em apartamentos de luxo com vista para o mar.


Desculpem, foi apenas um desabafo.


Por Douglas Duarte



Assista online o filme dublado  ou faça o download dele legendado

sexta-feira, 6 de março de 2015

Identidade de gênero e sexualidade



Confesso que ainda é indigesto o que tenho lido sobre o tema, não por resistência ou discordância, mas por ainda estar assustado com tamanha complexidade e influência do tema em todas as áreas que envolvam o ser humano. Ainda não me atrevo a opinar, esta é apenas uma compreensão teórica (provavelmente a primeira de várias) sobre o estupendo texto da Antropóloga Profª. Drª. Miriam Pillar Grossi, no qual recomendo a leitura, em especial aos colegas da Psicologia.
 Leia na íntegra: clique aqui 



Num tom provocativo, Miriam Grossi traz além da contextualização histórica dos papéis e representações sociais do homem, as lutas libertárias e estudos sobre a condição feminina, um conglomerado de conceitos que aprofundam e desconstroem parte do que se sabe no senso comum sobre o termo gênero. Ela nos apresenta o trajeto e evolução dos estudos de gênero, desde sua chegada através das pesquisadoras norte-americanas, até as discussões contemporâneas sobre o significado, papéis e identidade de gênero, além de discutir a relevância destes todos na sexualidade e reprodução.

De maneira sucinta, Grossi traz como função do gênero determinar tudo o que é social, cultural e historicamente determinado, complementando com o que diz Joan Scott sobre não remeter somente a idéias, mas também as instituições, estruturas, práticas cotidianas e tudo o que constitui as relações sociais. Há que se considerar que o gênero também é composto pela atuação de determinados papéis, ou seja, a representação de um personagem associado ao sexo biológico (macho ou fêmea) numa determinada cultura pode ser considerado papel de gênero. Nesta perspectiva, estes papéis não são biologicamente determinados, portanto, mutáveis culturalmente e historicamente.

Além dos papéis, é levantada a questão da identidade de gênero, na qual Robert Stoller defende que todo indivíduo tem um núcleo de identidade de gênero formado por um conjunto de convicções a partir do que é considerado socialmente masculino ou feminino, impregnado psiquicamente, segundo a psicanálise, até os três anos de idade, depois de superado o complexo de Édipo. Isso talvez justifique (ou pelo menos explique) a patologização ou o julgamento de anormalidade ou perversão da homossexualidade no imaginário ocidental, já que a prática da heterossexualidade é considerada “instintiva” na espécie humana pela possibilidade de perpetuação da espécie através da reprodução. Entretanto, Grossi aponta discussões recentes a respeito da reprodução biológica com pessoas do mesmo sexo, sugerindo a hipótese de que a heterossexualidade não será necessária para a reprodução, muito menos obrigatória.

Miriam também nos lembra, que assim como se discute a reprodução homossexual, discutiu-se noutra época o prazer feminino percebido como perigoso ou patológico, ou a passividade e frigidez como comportamentos normais e esperados, o que só corrobora a tese de que o gênero, entendido como apresentado anteriormente, não é algo estático, ou cristalizado, mas mutável, influenciado pelo contexto sócio-histórico. 


Por Law Tissot. Cidade Cyber 2012 - Parte I #5



Por Douglas Duarte

sábado, 13 de dezembro de 2014

Sobre tonsilas (e pessoas) inflamadas

A tonsilite é dona de me denunciar. Neste sentido sou previsível, meu corpo sempre avisa quando é hora de sair do piloto automático. Por muito tempo as tonsilas palatinas me irritaram, hoje nossa relação está mais amigável. Não discuto. Se elas começam a inflamar eu tiro o pé do acelerador e faço uma revisão do trajeto.

Sempre fui falante, mas também sempre tive filtros. Já perdi as contas das vezes que substituí o que eu queria dizer, pelo que era mais confortável de se ouvir. E as tonsilas, coitadas! Guardavam tudo até eu dissolver as frases não ditas com duas caixas de amoxicilina e dezoito sessões de análise.

Pensei várias vezes em fazer uma amigdalectomia, mas percebi que a solução não era retirar, era adicionar. Acrescentei um pouco de egoísmo. O que eu precisava era cuidar de mim com a mesma dedicação que cuidava dos outros. Hoje tenho isso como máxima: se cuidar de pessoas faz parte de minha escolha profissional, que comece por mim.

As tonsilas palatinas (ou amígdalas palatinas) são ricas em linfócitos, tendo a função de defesa do organismo, nomeadamente a produção de anticorpos. Na vida existem muitas coisas que as representam. Às vezes temos alguém cuja função em nossas vidas é à de proteger e cuidar, mas a inflamamos de tanto que enchemos de coisas que não nos fazem bem.

Existem vários exemplos de tonsilas inflamadas: engole o que pensa porque o chefe “bonitão” não aceita opinião contrária, daí chega em casa e desconta na família. Não enquadra o cliente por medo de perdê-lo, daí faz da equipe palco para estrelar todo poder que não pode mostrá-lo. Não manda em casa, daí trata o funcionário como se fosse sua propriedade.

A amigdalectomia é a cirurgia da retirada das tonsilas. Em carreira, eu diria que é a perda de um cliente, ou um bom funcionário, talvez de um amigo ou cônjuge.


(Por Douglas Duarte)


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

A causa de tudo


A gente complica demais a vida com as pequenas preocupações. A preocupação gera ansiedade, a ansiedade gera sofrimento, o sofrimento gera sentimento ruim e negativo, o sentimento ruim e negativo gera dor, a dor gera lágrima, a lágrima gera melancolia, a melancolia gera tristeza, a tristeza gera solidão, a solidão gera ferida, a ferida gera cicatriz, a cicatriz gera mágoa, a mágoa gera um buraco escuro dentro da alma. É um ciclo sem fim e só quem pode cortá-lo é você mesmo.


Ninguém disse que é fácil romper ciclos e fazer mudanças definitivas. O processo é longo, o trabalho é árduo e muitas vezes doloroso. Você está condicionado a agir de uma determinada forma durante um determinado tempo. Não é simples pegar uma tesoura e cortar todos os males e medos pela raiz. Se assim fosse os divãs não estariam sendo disputados a tapa.


Temos que aprender que a vida é para ser simples e boa. Sem tanto rancor, sem tanta revolta, sem tanta disputa. Há muito para conhecer, há tanto para aprender, há inúmeras formas de trocar um pensamento ruim por um bom. Quando algo que você não quer surgir na sua mente modifique na hora esse pensamento. Não dê corda, trela ou faça sala para ele, senão você sabe: ele chama toda a família para passar uma temporada na sua cabeça. E ninguém precisa conviver com um time de antipáticos fazendo farra, falando alto e tirando o seu sossego.


Só porque uma coisa não aconteceu da forma que você queria não quer dizer que ela não seja positiva e traga bons ensinamentos. A gente aprende com tudo que acontece, por mais que agora você acredite que esse perrengue todo é terrível, que você está sofrendo por demais, que sua vida está um lixo. Espere, respire, inspire, transpire, faça uma imersão nessa loucura, nesse desgaste, nessa dor, nessa onda forte. Depois você vai olhar para trás e perceber que sobreviveu, saiu mais forte, é valente, corajoso, tem fibra, garra e é capaz de superar qualquer dificuldade.


Nada é tão difícil quanto se apresenta num primeiro momento. E tudo, tudo tem um jeito. Mas entenda: nem sempre é o seu jeito. A gente vai se adaptando ao que a vida nos apresenta. Só que a escolha sempre será minha, sua ou nossa. Isso ninguém nos tira.


(Clarissa Corrêa)


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O Sofrer da Alma






[…] ela respirou fundo e então sussurrou “eu não aguento mais”


O que torna a existência humana tão insuportável e sacrificante ao ponto do indivíduo buscar a morte como uma alternativa à vida?

A morte não é o que o suicida deseja, porque ele nem mesmo sabe o que seria a morte, o que deseja é fugir do sofrimento. O comportamento suicida está associado com a impossibilidade do indíviduo de identificar alternativas viáveis para a solução de seus conflitos. É evidente o estado de depressão, dor, angústia, melancolia, sentimentos de medo, insegurança, desamparo, desespero e do vazio existencial.

O fenômeno do suicídio é reconhecido mundialmente por sua complexidade principalmente por apresentar fatores multicausais como familiares, socioeconômicos, culturais, biológicos e psicológicos, que se acumulam durante a vida e culminam para a prática. Ou seja, o suicídio não é um ato apenas individual, mas também social, pois o sujeito se relaciona tanto com sua família, como com a sociedade em que vive.

(Sobre)vivemos hoje a Era da Superficialidade, onde “ter” prelavece o “ser”, com relacionamentos de laços frouxos, onde as pessoas são descartáveis e a cobrança pelo sucesso e ascenção profissional passa por cima dos velhos e bons costumes e valores morais. Essa é uma Era onde o ter “tudo” pode significar ter “nada”, onde o vazio, a solidão e o tédio levam a um sentimento de ansiedade, de incompletude e de falta.

Então resta-nos refletir o que cada um está alimentando dentro de si.

Eros (Amor) ou Thanatos (Morte)?

Porque muito embora esta união seja indissociável, ganha a batalha aquele que alimentamos mais frequentemente.


(Por Fabiane Vick)


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Psicóloga, Mestre em Psicologia pela UCDB, Fabiane Vick é movida a desafios, a vida a colocou sempre muito próxima a grupos minoritários com intenso sofrimento psíquico, especialmente no campo da saúde pública. Tem experiência na área da Psicologia da Saúde e Psicologia Social, atuando principalmente nos seguintes temas: saúde mental, suicídio, agressões, populações nativas, identidade e cultura. 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O treinador de autenticidades

Apesar da projeção social do coaching na atualidade, percebo que ainda existem muitas dúvidas sobre sua prática e história. Durante os últimos trinta anos, o processo de coaching passou por uma crise – crĭsis, “momento de decisão, de mudança súbita” – que fez com que ele fosse estudado sistematicamente para aprimorar suas técnicas, validar e comprovar sua eficácia.

A palavra coaching, traduzida literalmente, significa treinamento. Este termo foi durante muito tempo usado, quase que exclusivamente, no contexto esportivo. Este modelo começou a ser adotado pelo mundo dos negócios na década de 1960.

Apesar de toda evolução da técnica, os “treinadores de carreira” não são mágicos, não tem super-poderes e não criam habilidades. Não somos responsáveis, nem seríamos tão pretensiosos, por transformar um cliente (coachee) numa outra pessoa, ao contrário, muito dos conflitos na carreira estão, justamente, relacionados à falta de autenticidade.


"Curioso paradoxo: quando me aceito como sou, posso então mudar."
(Carl Rogers)


Esquivar-se de um problema é um comportamento comum e, quando se trata de um problema externo, às vezes até conseguimos escapar de enfrentá-lo. Mas e quando é interno (pessoal e intransferível), para onde o empurramos? Ou melhor, é possível empurrá-lo?

O processo de aceitação é fundamental para que o coaching tenha qualquer resultado. O entendimento sobre a realidade individual e a compreensão sobre os limites também individuais, fazem com que o desejo de mudar não seja utópico. É essencial que o desejo de mudança esteja associado à vontade de ser melhor e não de ser outro.

O coach tem o papel de estimular a autenticidade.

O processo em si, não muda a pessoa, mas o despertar para a necessidade da mudança acarreta a busca dos recursos pessoais e transforma o coachee (cliente) num agente de desenvolvimento das suas próprias habilidades.


Eu acredito no ser humano e o contrário seria no mínimo incoerência. O coaching tem o desafio de provocar o profissional a doar-se inteiramente, a usufruir do máximo de seu potencial e instrumentá-lo para que ele alcance este objetivo.



“Se fôssemos eleger uma maneira menos usual de apresentação, ousaríamos dizer que somos andaimes emocionais para elevar pessoas ao topo de suas plenitudes.”
(Ana Clara Tissot)


Por Douglas Duarte



quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Por todas as formas de amor: o psicodramatista diante das relações amorosas


Release:



O amor é um tema que afeta a todo ser humano. Na busca pela realização amorosa, as pessoas vivem vários sentimentos e muitas vezes não sabem lidar com essas sensações. Como suportar o rompimento de uma relação? O que os homens e as mulheres querem? Ser gay ou bissexual é sinônimo de perversão sexual? Num mundo em constante transformação é preciso rever conceitos, atualizar respostas e fazer novas reflexões. No livro Por todas as formas de amor – O psicodramatista diante das relações amorosas, lançamento da Editora Ágora, experientes profissionais discorrem sobre a questão amorosa. Por meio de um olhar psicodramático, eles refletem sobre os diversos aspectos envolvidos nesse sentimento, buscando encontrar respostas que contemplem as dores e os prazeres decorrentes das várias formas que as relações podem assumir em suas diferentes manifestações.

Organizada pelos psicodramatistas Adelsa Cunha e Carlos Roberto Silveira, a obra é dividida em dez capítulos elaborados por 11 autores que apresentam o seu entendimento teórico e a sua vivência sobre o tema. “Não pretendemos criar uma teoria psicodramática sobre o amor e nem oferecer fórmulas ou caminhos para atingir uma relação ideal ou para encontrar um amor”, explicam os organizadores. O objetivo é ampliar as reflexões sobre o tema, possibilitando a compreensão de que não existe uma forma única de amor ou de amar, mas várias, e de que todas são legítimas.

No primeiro capítulo, o professor Dalmiro Manuel Bustos fala sobre a origem do amor, destacando que esse sentimento desconhecido dá sentido à vida. “A primeira coisa que me vem à mente ao evocar o amor por meio de seu vocábulo é uma sensação de suave segurança”, diz o autor. Em seguida, a psicodramatista Maria Luiza Vieira Santos mostra como acontecem os primeiros amores. Para ela, acompanhar esse processo é transitar pela delicadeza de uma experiência que pode marcar para sempre.

Nos capítulos seguintes, os especialistas Suzana Modesto Duclós e Irany Baptistela Ferreira mostram o que as mulheres e os homens esperam do amor. O psicólogo Carlos Roberto Silveira discorre, no quinto capítulo, sobre o que acontece com homens que amam homens quando tomam consciência desse sentimento. Na sequência, a psicóloga Maria do Carmo Mendes Rosa aborda o amor entre mulheres. O sétimo capítulo explica porque algumas pessoas podem amar homens e mulheres. As psiquiatras Elisabeth Sene-Costa e Rosilda Antonio refletem sobre as relações amorosas e a bissexualidade.


A obra traz ainda o comentário da psicóloga Eni Fernandes sobre o amor virtual, modalidade muito frequente nos dias de hoje. A especialista Adelsa Cunha fala sobre as especificidades das relações amorosas na maturidade. Para finalizar, o psiquiatra Carlos Calvente explica porque a dor da separação amorosa é intensa e universal.

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Os organizadores

Adelsa Cunha é psicóloga, especialista em Psicologia Clínica pelo CRP/SP. Psicodramatista didata supervisora pela Federação Brasileira de Psicodrama (Febrap). Diretora de Psicodrama e especialista em Terapia de Casal pelo Instituto J. L. Moreno de Buenos Aires. Presidente da Federação Brasileira de Psicodrama na gestão 2008/2010 e presidente do 18º Congresso Brasileiro de Psicodrama em 2012. Coautora do livro Sociodrama: um método, diferentes procedimentos (Ágora, 2010).

Carlos Roberto Silveira é psicólogo, psicodramatista, professor-supervisor pela Federação Brasileira de Psicodrama (Febrap), ex-membro do conselho editorial da Revista Brasileira de Psicodrama. Autor de artigos científicos publicados nesse periódico, atua como psicólogo da Assembleia Legislativa de Santa Catarina e em consultório particular em Florianópolis (SC).


Título: Por todas as formas de amor - O psicodramatista diante das relações amorosas
Organizadores: Adelsa Cunha e Carlos Roberto Silveira
Editora: Ágora
Preço: R$ 51,90 (E-book R$ 29,90)
Páginas: 176 (14 x 21cm)
ISBN: 978-85-7183-138-4
Atendimento ao consumidor: 11-3865-9890


Mais informações com Ana Paula Alencar
11-7806-7169 ID 55*38*211844

Lançamento Florianopolis
Dia 28 de novembro de 2014
Das 20h às 22h
Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina
Espaço Cultural Jerônimo Coelho


terça-feira, 28 de outubro de 2014

Gestão de Ausências

O médico perguntou:
- O que sentes?

E eu respondo:
- Sinto lonjuras, doutor. Sofro de distâncias.

(Caio F. Abreu)


Um diagnóstico tem a função de recolher e analisar dados para avaliar a natureza do problema. Em saúde, observam-se os sinais e sintomas e, de acordo com estes, qualifica-se a doença. Para definir o planejamento do tratamento é necessário que a anamnese seja profunda e o diagnóstico muito criterioso.

O processo é o mesmo quando se propõe um projeto consultivo. Ouvimos, observamos, sentimos, às vezes solicitamos alguns exames, discutimos o caso, qualificamos a “doença” e planejamos o tratamento.

Sabe aquela consulta médica rápida, daquelas que você vai embora sem a menor idéia do que serviu de base para o profissional dar o diagnóstico? Às vezes isso também acontece com o consultor. Apesar de toda nossa preocupação em não rotular e respeitar a singularidade dos sujeitos é comum que nosso “olhar clínico” identifique facilmente algumas “doenças”.

Não sei se já posso considerar epidemia, mas estou assustado com a incidência de LONJURAS que tenho visto nestas minhas andanças corporativas.

Engraçado que quanto maior a possibilidade de aproximação, maiores são as distâncias. Quantas vezes fui contratado para ser porta-voz de um “líder” que não sabe como corrigir o liderado; não tão raro sou contratado para legitimar o que chefe –  “contaminado pela lonjura” – não conseguiu transmitir à equipe. Quantas e quantas vezes um consultor é contratado para dizer à equipe o quanto ela é importante, simplesmente porque existe um abismo entre o gestor e seus colaboradores que impede que um mero elogio seja dito.

Vivemos numa época em que o peso recai sobre o êxito individual. Cada vez mais percebemos que as lonjuras são estabelecidas porque somos obrigados a defender veementemente interesses individuais, já que, se não o fizermos, nos depararemos com a dor de ver o outro como mais bem-sucedido que nós.




“As pessoas são solitárias porque constroem muros ao invés de pontes."

(Antoine Exupéry, em “O Pequeno Príncipe”)




Por Douglas Duarte



segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Entre a tragédia e a essência



Professora de natação formada em Educação Física pela UFMS, Ellen Duarte adora ler romances, ficções, livros cristãos e ouvir Elvis Presley.  Rubem Alves disse a respeito dos guerreiros ternos, que endurecem sem perder a ternura, e eu a vejo exatamente assim - contraste entre a força e a doçura. Além de prima é uma grande amiga que se faz presente em todos os momentos da minha vida. Determinada, num futuro próximo será minha colega de profissão.






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Entre a tragédia e a essência



Às vezes o que eu vejo quase ninguém vê...


Recentemente, em meio a uma conversa corriqueira, um amigo disse que a tragédia humana me atraia. Confesso que até aquele momento isso não me era consciente, mas hoje admito: ele tem razão. A dor, o sofrimento, a tragédia das más relações humanas... isso certamente me atrai.

Atraio-me pela tragédia por acreditar que é possível ameniza-la, me atraio pelos feridos porque acredito numa humaninade solidária e amável; ainda deve haver no mundo seres humanos que amem ao próximo e estejam dispostos a ajudá-lo.

É, esses seres humanos devem existir....

Mas eu me atraio pela dor, lembra? Pois bem, o que te posso dizer é que as más relações interpessoais estão se sobressaindo cada dia mais; você conhece o termo violência doméstica? No Brasil a violência que mais acomete mulheres, crianças e adolescente, ocorre dentro dos lares (DAY et al, 2003), e a violência nas relações de casais é tamanha que já é aceita como endêmica (BRASIL, 2011).

Você sabia?

No Brasil, a cada dia são reportados ao disque denuncia (100), cerca de 129 casos de violência, isto é, a cada hora cinco casos contra meninos e meninas são registrados no país (UNICEF); também a cada uma hora morre uma criança queimada, torturada ou espancada pelos próprios pais (FUNDAÇÃO ABRINQ).

Existe ainda uma classificação consideravelmente nova que é a violência intergeracional, de acordo com estudos, as crianças que hoje são vitimas — diretas ou indiretas — de violência doméstica, tendem a se transformar nos adultos agressores/violentadores de amanhã (GOMES et al 2007; AGUIAR, 2013; MATOSO et al 2014;  RANGEL et al, 2011).

E então... Diante disto, aquela frase clichê assume um peso diferente: violência gera violência (sim).

Meu sonho é que conhecendo a tragédia humana, possamos nos dedicar a amenizar a dor dos que sofrem, e ajudá-los a quebrar esse triste ciclo chamado violência. A tomada de consciência a respeito da tragédia destas relações humanas pode ser o despertar do ser humano solidário e amável que Deus te criou pra ser.


... e eu sei que você sabe — quase sem querer — que eu vejo o mesmo que você.



Por Ellen Duarte.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Vínculos débeis no mercado das emoções


Revolució, Oil on Canvas. Por Guilherme Kramer.



Em meados do século XVIII, na Inglaterra, emergiram-se diversas transformações de ordem econômica, política e social, que se convencionou chamar de Revolução Industrial. No Brasil, o processo de industrialização teve seu ponto de partida por volta da década de 80 do século passado, essencialmente motivado pela crise e abolição do trabalho escravo. Formou-se, com o trabalho livre assalariado, um mercado passivo que era preciso abastecer.

Este processo gerou não somente um novo modelo econômico, mas também uma nova forma de olhar o mundo. A insaciabilidade é uma das características da sociedade de consumo que mais gerou impacto, atingindo, inclusive, as relações sociais e o processo de constituição da própria identidade. 

Os relacionamentos atuais estão cada vez mais fragilizados e comumente tratados como mercadoria. Pode-se notar o estabelecimento de uma nova ética onde os conceitos mais nobres foram ressignificados. A debilidade dos vínculos afetivos pode ser diretamente comparada à relação que temos com os objetos. Os produtos não são mais feitos para durar, da mesma forma as relações.


Sobre este tema, recomendo a leitura do livro AMOR LÍQUIDO, de Zygmunt Bauman.


Toda essa análise me despertou o interesse de investigar elementos um pouco mais profundos do processo de estabelecimento do vínculo. A identificação é a mais remota expressão de um laço emocional com outra pessoa, além de desempenhar um papel importante na história primitiva do complexo de Édipo - “Um menino mostrará um interesse especial pelo pai; gostaria de crescer como ele, ser como ele e tomar seu lugar em tudo. Podemos simplesmente dizer que toma o pai como seu ideal.” (FREUD, 1921, p.133). Posterior a esta identificação, Freud diz a respeito da idealização que se dá na presença do amor, que tende a falsificar o julgamento a respeito do outro, visto que, quando estamos amando, há uma quantidade considerável de libido narcisista. Ou seja, a forma como se trata o outro, revela diretamente a relação que se tem consigo mesmo. 

A fragilidade das relações revela, dentre muitas coisas, a vulnerabilidade dos seres humanos no processo do autoconceito, e este é fundamental para manter o ajuste do sujeito com o mundo exterior. Na abordagem humanista, por meio da interação social o indivíduo repele imagens de si mesmo, inclusive as que lhe causam dúvidas em relação à sua própria competência e seu próprio valor. Partindo deste pressuposto, o investimento de tempo e afeto numa relação pode associar-se ao desejo de estar consigo mesmo ou, da mesma forma, o contrário, a aversão da própria companhia. Se eu me vejo no outro, o saber “quem sou” me permite definir “com quem quero estar”, sendo assim, a busca insaciável pelo alguém ideal pode ocultar a insatisfação de não ser o alguém ideal, e esta nos obriga a dar voltas que não conduzem a outro lugar que não ao ponto de partida.

(Douglas Duarte)

sábado, 11 de outubro de 2014

O amor não vai embora

Ju Souc é cantora, compositora e baterista premiada no Festival Batuka Brasil. Além da carreira solo, é integrante das bandas Zé Pretim Trio, Pétalas de Pixe e Santo Chico. 

"O acaso", de sua autoria, é trilha sonora do site da Reddo desde março deste ano. Sou assumidamente apaixonado por seu trabalho!

Dona de um talento absurdo e carisma na mesma proporção, Ju Souc lançou recentemente o clipe "O amor não vai embora", com participação de Jerry Espíndola. Nem preciso dizer que esbanja musicalidade e bom gosto! Poesia pura!






quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Mais Popeye e menos Exupéry



Ana Clara Tissot é uma grande amiga e a primeira convidada a escrever para o blog. Ela trabalhou em muitas empresas bacanas como executiva (na área de T.I, em banco, lecionou idiomas e literatura, gerenciou departamentos de marketing e é conferencista na área de desenvolvimento humano) e estudou um montão de coisas relacionadas a publicidade, comunicação, linguística e produção textual. Ela também é minha sócia na Reddo Engenharia Humana, uma empresa que cuida da carreira de pessoas,  atuando como Coach e treinadora motivacional.




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Mais Popeye e menos Exupéry


Durante os vintes anos em que atuo com gestão de pessoas já-vi-de-um-tudo: unicórnios executivos existentes apenas no imaginário corporativo, dízimo instituído para expurgar os pecados da gestão e políticas de massacre que se escondem atrás de discursos bonitinhos.

Já tomei muito sal de fruta pra digerir reuniões cujo único objetivo era legitimar alguns egos e exterminar outros tantos. Nos últimos dias tenho pensado muito... Talvez seja a sombra que os 40 anos tenha trazido pro sol das minhas ilusões.... Sempre fui muito Pollyanna e achava que minha salvação era a ilha dos meus pensamentos organizacionais, sempre tão retilíneos.

Mas não.

Me consome diariamente este festival apocalíptico ao qual dei o nome de "incapacidade de autoescuta" - e quem sabe um dia veja esta patologia inscrita formalmente no rol do CID 10.

Talvez.

Já não suporto a ideia equivocada de que o nascedouro da comunicação se dá no processo de escuta do outro. A escuta, para mim, é sobretudo OUVIR-SE. O conceito de alteridades nos empurrou para a morbidez de existir em função de um outro indivíduo. Mas quem eu sou? Do que eu gosto? O que me inspira? O que limita a minha existência? O que? O que, afinal?

Estaríamos vivendo uma nova era psíquica, em que a instância "do que sou" parte somente do crivo do "que sou para o fulano?". Eu sinceramente não sei mais...

O Exupéry ferrou a nossa culpa cristã ao eternizar a máxima de "que somos eternamente responsáveis pelo que cativamos." Sonho com o dia em que sejamos responsáveis por sermos aquilo que somos em essência, conectados não por responsabilidade imputada, mas por elos inquebrantáveis de identificação, empatia, solidariedade e completude.

Não quero mais me reconhecer a partir do espelho que alguém tráz nas mãos. Nem na vida empresarial. E não quero ser responsável por nenhum afeto, e sim herdeira natural das coisas bacanas que plantei por aí....

"Eu sou o que sou. E isso é tudo o que sou."  -  Disse o marinheiro Popeye.




Por Ana Clara Tissot.








sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A somatização da escolha

Aquarela, de Bruno Porato.

Estes dias li uma matéria cujo título me chamou muita atenção: a frustração profissional adoece. A matéria falava a respeito da Síndrome de Burnout, que é um distúrbio psíquico descrito em 1974 por Freudenberger, um médico americano.

A síndrome é caracterizada pelo estado de tensão emocional e estresse, crônicos e provocados por condições de trabalho físicas, emocionais e psicológicas desgastantes. Ela se manifesta, comumente, em pessoas cuja profissão exige envolvimento direto e intenso de questões interpessoais, como é o caso de profissionais da saúde, educação, recursos humanos, bombeiros, entre outros.

Mas meu objetivo é, antes de falar da doença, falar das escolhas profissionais. A profissão, de alguma forma, se torna extensão do próprio sujeito e em muitas vezes é tida como um sobrenome – “fulano, psicólogo”, “ciclano, médico”. Existe um investimento imenso de tempo, dinheiro, energia e, sobretudo, afeto. Este “sobrenome” traz consigo uma carga muito pesada de expectativas sobre o sujeito, o que chamamos de Representação Social, que numa releitura de Moscovici (1978) refere-se ao posicionamento e localização da consciência subjetiva nos espaços sociais, com o sentido de constituir percepções por parte dos indivíduos.

É comum que a tomada de decisão profissional aconteça como um ritual de passagem da adolescência para a vida adulta. Como se escolher uma profissão representasse a efetivação da maturidade. Muitos sentimentos estão em jogo neste processo, não só para quem toma a decisão, mas também para todo o cenário que o levou a tal escolha. A influência familiar é inegável, aliás, partindo do pressuposto que as escolhas ocorrem a partir de identificações e, por sua vez, estão implicadas na forma como vivem as identificações primárias, secundárias e os afetos decorrentes, é comum que a escolha profissional atenda primeiramente ao desejo do outro.

Há algum tempo trabalho com avaliação de perfis profissionais e talvez tudo isso que foi dito sobre as escolhas, justifique parte das incoerências que encontro nos processos de análise destes perfis. O médico que não gosta de gente, o psicólogo que não estabelece diálogo, o comunicador que não se comunica, o palestrante motivacional desmotivado, o professor que não gosta de dar aulas e blá, blá, blá...

Talvez, antes de tratar a síndrome de Burnout, seja necessário tratar a “síndrome do não-vocacionado”. Ainda bem que esta última, é uma patologia repleta de sinais e sintomas. Caso tenha se auto-diagnosticado, dou uma dica (me apropriando de uma frase de Sigmund Freud): ser completamente honesto consigo mesmo é uma boa norma.   


(Douglas Duarte)