domingo, 9 de julho de 2017

O (des)romance do tempo



Foi-se o tempo onde a flor era colhida no campo com as próprias mãos para ser entregue ainda com a raiz viva e cheiro de terra, quase uma poesia em forma de gesto. Foi-se a época onde o amor não era jogo e ao invés de um mero pino de xadrez, éramos tratados feito gente, de carne, osso e movimento. Foi-se o tempo onde amar era feito dança, onde cada passo sincronizado era comemorado e cada solo era admirado. Foi-se o tempo onde cada pessoa sabia quem era si e não exigia que o outro viva numa caixa por egoísmo disfarçado de cuidado. Foi-se tempo onde os pés não precisavam tocar o chão e cada nota da canção arrepiava, de maneira intensa e suave, feito o branco algodão. Foi-se o tempo onde a mesa cheia de gente era mais importante do que ego inflado, o poder e o desejo de ser venerado. Foi-se o tempo! Não sei se por destino ou crueldade, só sei que não tem volta.



Douglas Duarte, 09 de Julho de 2017