Ana Clara Tissot é uma grande amiga e a primeira convidada a escrever para o blog. Ela trabalhou em muitas empresas bacanas como executiva (na área de T.I, em banco, lecionou idiomas e literatura, gerenciou departamentos de marketing e é conferencista na área de desenvolvimento humano) e estudou um montão de coisas relacionadas a publicidade, comunicação, linguística e produção textual. Ela também é minha sócia na Reddo Engenharia Humana, uma empresa que cuida da carreira de pessoas, atuando como Coach e treinadora motivacional.
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Mais Popeye e menos Exupéry
Durante os vintes anos em que atuo com gestão de pessoas já-vi-de-um-tudo:
unicórnios executivos existentes apenas no imaginário corporativo, dízimo
instituído para expurgar os pecados da gestão e políticas de massacre que se
escondem atrás de discursos bonitinhos.
Já tomei muito sal de fruta pra digerir reuniões cujo único objetivo era
legitimar alguns egos e exterminar outros tantos. Nos últimos dias tenho
pensado muito... Talvez seja a sombra que os 40 anos tenha trazido pro sol das
minhas ilusões.... Sempre fui muito Pollyanna e achava que minha salvação era a
ilha dos meus pensamentos organizacionais, sempre tão retilíneos.
Mas não.
Me consome diariamente este festival apocalíptico ao qual dei o nome de
"incapacidade de autoescuta" - e quem sabe um dia veja esta patologia
inscrita formalmente no rol do CID 10.
Talvez.
Talvez.
Já não suporto a ideia equivocada de que o nascedouro da comunicação se dá no
processo de escuta do outro. A escuta, para mim, é sobretudo OUVIR-SE. O
conceito de alteridades nos empurrou para a morbidez de existir em função de um
outro indivíduo. Mas quem eu sou? Do que eu gosto? O que me inspira? O que
limita a minha existência? O que? O que, afinal?
Estaríamos vivendo uma nova era psíquica, em que a instância "do que
sou" parte somente do crivo do "que sou para o fulano?". Eu
sinceramente não sei mais...
O Exupéry ferrou a nossa culpa cristã ao eternizar a máxima de "que somos
eternamente responsáveis pelo que cativamos." Sonho com o dia em que
sejamos responsáveis por sermos aquilo que somos em essência, conectados não
por responsabilidade imputada, mas por elos inquebrantáveis de identificação,
empatia, solidariedade e completude.
Não quero mais me reconhecer a partir do espelho que alguém tráz nas mãos. Nem
na vida empresarial. E não quero ser responsável por nenhum afeto, e sim
herdeira natural das coisas bacanas que plantei por aí....
"Eu sou o que sou. E isso é tudo o que sou." - Disse o marinheiro Popeye.
