[…] ela
respirou fundo e então sussurrou “eu não aguento mais”
O que torna a
existência humana tão insuportável e sacrificante ao ponto do indivíduo buscar
a morte como uma alternativa à vida?
A morte não é o que o
suicida deseja, porque ele nem mesmo sabe o que seria a morte, o que deseja é
fugir do sofrimento. O comportamento suicida está associado com a
impossibilidade do indíviduo de identificar alternativas viáveis para a solução
de seus conflitos. É evidente o estado de depressão, dor, angústia, melancolia,
sentimentos de medo, insegurança, desamparo, desespero e do vazio existencial.
O fenômeno do suicídio
é reconhecido mundialmente por sua complexidade principalmente por apresentar
fatores multicausais como familiares, socioeconômicos, culturais, biológicos e
psicológicos, que se acumulam durante a vida e culminam para a prática. Ou
seja, o suicídio não é um ato apenas individual, mas também social, pois o sujeito
se relaciona tanto com sua família, como com a sociedade em que vive.
(Sobre)vivemos hoje a
Era da Superficialidade, onde “ter” prelavece o “ser”, com relacionamentos de
laços frouxos, onde as pessoas são descartáveis e a cobrança pelo sucesso e
ascenção profissional passa por cima dos velhos e bons costumes e valores morais.
Essa é uma Era onde o ter “tudo” pode significar ter “nada”, onde o vazio, a
solidão e o tédio levam a um sentimento de ansiedade, de incompletude e de falta.
Então resta-nos
refletir o que cada um está alimentando dentro de si.
Eros (Amor) ou Thanatos
(Morte)?
Porque muito embora
esta união seja indissociável, ganha a batalha aquele que alimentamos mais
frequentemente.
(Por Fabiane Vick)
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Psicóloga, Mestre em
Psicologia pela UCDB, Fabiane Vick é movida a desafios, a vida a colocou sempre
muito próxima a grupos minoritários com intenso sofrimento psíquico,
especialmente no campo da saúde pública. Tem experiência na área da Psicologia
da Saúde e Psicologia Social, atuando principalmente nos seguintes temas: saúde
mental, suicídio, agressões, populações nativas, identidade e cultura.


