Confesso que ainda é indigesto o que tenho lido sobre o tema, não por resistência ou discordância, mas por ainda estar assustado com tamanha complexidade e influência do tema em todas as áreas que envolvam o ser humano. Ainda não me atrevo a opinar, esta é apenas uma compreensão
teórica (provavelmente a primeira de várias) sobre o estupendo texto da Antropóloga Profª. Drª. Miriam Pillar Grossi, no qual recomendo a leitura, em especial aos colegas da Psicologia.
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Num
tom provocativo, Miriam Grossi traz além da contextualização histórica
dos papéis e representações sociais do homem, as lutas libertárias e estudos
sobre a condição feminina, um conglomerado de conceitos que aprofundam e
desconstroem parte do que se sabe no senso comum sobre o termo gênero. Ela nos
apresenta o trajeto e evolução dos estudos de gênero, desde sua chegada através
das pesquisadoras norte-americanas, até as discussões contemporâneas sobre o
significado, papéis e identidade de gênero, além de discutir a relevância
destes todos na sexualidade e reprodução.
De
maneira sucinta, Grossi traz como função do gênero determinar tudo o que é
social, cultural e historicamente determinado, complementando com o que diz
Joan Scott sobre não remeter somente a idéias, mas também as instituições,
estruturas, práticas cotidianas e tudo o que constitui as relações sociais. Há
que se considerar que o gênero também é composto pela atuação de determinados
papéis, ou seja, a representação de um personagem associado ao sexo biológico
(macho ou fêmea) numa determinada cultura pode ser considerado papel de gênero.
Nesta perspectiva, estes papéis não são biologicamente determinados, portanto,
mutáveis culturalmente e historicamente.
Além
dos papéis, é levantada a questão da identidade de gênero, na qual Robert
Stoller defende que todo indivíduo tem um núcleo de identidade de gênero
formado por um conjunto de convicções a partir do que é considerado socialmente
masculino ou feminino, impregnado psiquicamente, segundo a psicanálise, até os
três anos de idade, depois de superado o complexo de Édipo. Isso talvez
justifique (ou pelo menos explique) a patologização
ou o julgamento de anormalidade ou perversão da homossexualidade no imaginário
ocidental, já que a prática da heterossexualidade é considerada “instintiva” na
espécie humana pela possibilidade de perpetuação da espécie através da
reprodução. Entretanto, Grossi aponta discussões recentes a respeito da
reprodução biológica com pessoas do mesmo sexo, sugerindo a hipótese de que a
heterossexualidade não será necessária para a reprodução, muito menos
obrigatória.
Miriam
também nos lembra, que assim como se discute a reprodução homossexual,
discutiu-se noutra época o prazer feminino percebido como perigoso ou
patológico, ou a passividade e frigidez como comportamentos normais e
esperados, o que só corrobora a tese de que o gênero, entendido como
apresentado anteriormente, não é algo estático, ou cristalizado, mas mutável, influenciado
pelo contexto sócio-histórico.
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| Por Law Tissot. Cidade Cyber 2012 - Parte I #5 |
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