quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O Sofrer da Alma






[…] ela respirou fundo e então sussurrou “eu não aguento mais”


O que torna a existência humana tão insuportável e sacrificante ao ponto do indivíduo buscar a morte como uma alternativa à vida?

A morte não é o que o suicida deseja, porque ele nem mesmo sabe o que seria a morte, o que deseja é fugir do sofrimento. O comportamento suicida está associado com a impossibilidade do indíviduo de identificar alternativas viáveis para a solução de seus conflitos. É evidente o estado de depressão, dor, angústia, melancolia, sentimentos de medo, insegurança, desamparo, desespero e do vazio existencial.

O fenômeno do suicídio é reconhecido mundialmente por sua complexidade principalmente por apresentar fatores multicausais como familiares, socioeconômicos, culturais, biológicos e psicológicos, que se acumulam durante a vida e culminam para a prática. Ou seja, o suicídio não é um ato apenas individual, mas também social, pois o sujeito se relaciona tanto com sua família, como com a sociedade em que vive.

(Sobre)vivemos hoje a Era da Superficialidade, onde “ter” prelavece o “ser”, com relacionamentos de laços frouxos, onde as pessoas são descartáveis e a cobrança pelo sucesso e ascenção profissional passa por cima dos velhos e bons costumes e valores morais. Essa é uma Era onde o ter “tudo” pode significar ter “nada”, onde o vazio, a solidão e o tédio levam a um sentimento de ansiedade, de incompletude e de falta.

Então resta-nos refletir o que cada um está alimentando dentro de si.

Eros (Amor) ou Thanatos (Morte)?

Porque muito embora esta união seja indissociável, ganha a batalha aquele que alimentamos mais frequentemente.


(Por Fabiane Vick)


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Psicóloga, Mestre em Psicologia pela UCDB, Fabiane Vick é movida a desafios, a vida a colocou sempre muito próxima a grupos minoritários com intenso sofrimento psíquico, especialmente no campo da saúde pública. Tem experiência na área da Psicologia da Saúde e Psicologia Social, atuando principalmente nos seguintes temas: saúde mental, suicídio, agressões, populações nativas, identidade e cultura.