sábado, 13 de dezembro de 2014

Sobre tonsilas (e pessoas) inflamadas

A tonsilite é dona de me denunciar. Neste sentido sou previsível, meu corpo sempre avisa quando é hora de sair do piloto automático. Por muito tempo as tonsilas palatinas me irritaram, hoje nossa relação está mais amigável. Não discuto. Se elas começam a inflamar eu tiro o pé do acelerador e faço uma revisão do trajeto.

Sempre fui falante, mas também sempre tive filtros. Já perdi as contas das vezes que substituí o que eu queria dizer, pelo que era mais confortável de se ouvir. E as tonsilas, coitadas! Guardavam tudo até eu dissolver as frases não ditas com duas caixas de amoxicilina e dezoito sessões de análise.

Pensei várias vezes em fazer uma amigdalectomia, mas percebi que a solução não era retirar, era adicionar. Acrescentei um pouco de egoísmo. O que eu precisava era cuidar de mim com a mesma dedicação que cuidava dos outros. Hoje tenho isso como máxima: se cuidar de pessoas faz parte de minha escolha profissional, que comece por mim.

As tonsilas palatinas (ou amígdalas palatinas) são ricas em linfócitos, tendo a função de defesa do organismo, nomeadamente a produção de anticorpos. Na vida existem muitas coisas que as representam. Às vezes temos alguém cuja função em nossas vidas é à de proteger e cuidar, mas a inflamamos de tanto que enchemos de coisas que não nos fazem bem.

Existem vários exemplos de tonsilas inflamadas: engole o que pensa porque o chefe “bonitão” não aceita opinião contrária, daí chega em casa e desconta na família. Não enquadra o cliente por medo de perdê-lo, daí faz da equipe palco para estrelar todo poder que não pode mostrá-lo. Não manda em casa, daí trata o funcionário como se fosse sua propriedade.

A amigdalectomia é a cirurgia da retirada das tonsilas. Em carreira, eu diria que é a perda de um cliente, ou um bom funcionário, talvez de um amigo ou cônjuge.


(Por Douglas Duarte)


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

A causa de tudo


A gente complica demais a vida com as pequenas preocupações. A preocupação gera ansiedade, a ansiedade gera sofrimento, o sofrimento gera sentimento ruim e negativo, o sentimento ruim e negativo gera dor, a dor gera lágrima, a lágrima gera melancolia, a melancolia gera tristeza, a tristeza gera solidão, a solidão gera ferida, a ferida gera cicatriz, a cicatriz gera mágoa, a mágoa gera um buraco escuro dentro da alma. É um ciclo sem fim e só quem pode cortá-lo é você mesmo.


Ninguém disse que é fácil romper ciclos e fazer mudanças definitivas. O processo é longo, o trabalho é árduo e muitas vezes doloroso. Você está condicionado a agir de uma determinada forma durante um determinado tempo. Não é simples pegar uma tesoura e cortar todos os males e medos pela raiz. Se assim fosse os divãs não estariam sendo disputados a tapa.


Temos que aprender que a vida é para ser simples e boa. Sem tanto rancor, sem tanta revolta, sem tanta disputa. Há muito para conhecer, há tanto para aprender, há inúmeras formas de trocar um pensamento ruim por um bom. Quando algo que você não quer surgir na sua mente modifique na hora esse pensamento. Não dê corda, trela ou faça sala para ele, senão você sabe: ele chama toda a família para passar uma temporada na sua cabeça. E ninguém precisa conviver com um time de antipáticos fazendo farra, falando alto e tirando o seu sossego.


Só porque uma coisa não aconteceu da forma que você queria não quer dizer que ela não seja positiva e traga bons ensinamentos. A gente aprende com tudo que acontece, por mais que agora você acredite que esse perrengue todo é terrível, que você está sofrendo por demais, que sua vida está um lixo. Espere, respire, inspire, transpire, faça uma imersão nessa loucura, nesse desgaste, nessa dor, nessa onda forte. Depois você vai olhar para trás e perceber que sobreviveu, saiu mais forte, é valente, corajoso, tem fibra, garra e é capaz de superar qualquer dificuldade.


Nada é tão difícil quanto se apresenta num primeiro momento. E tudo, tudo tem um jeito. Mas entenda: nem sempre é o seu jeito. A gente vai se adaptando ao que a vida nos apresenta. Só que a escolha sempre será minha, sua ou nossa. Isso ninguém nos tira.


(Clarissa Corrêa)