quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O treinador de autenticidades

Apesar da projeção social do coaching na atualidade, percebo que ainda existem muitas dúvidas sobre sua prática e história. Durante os últimos trinta anos, o processo de coaching passou por uma crise – crĭsis, “momento de decisão, de mudança súbita” – que fez com que ele fosse estudado sistematicamente para aprimorar suas técnicas, validar e comprovar sua eficácia.

A palavra coaching, traduzida literalmente, significa treinamento. Este termo foi durante muito tempo usado, quase que exclusivamente, no contexto esportivo. Este modelo começou a ser adotado pelo mundo dos negócios na década de 1960.

Apesar de toda evolução da técnica, os “treinadores de carreira” não são mágicos, não tem super-poderes e não criam habilidades. Não somos responsáveis, nem seríamos tão pretensiosos, por transformar um cliente (coachee) numa outra pessoa, ao contrário, muito dos conflitos na carreira estão, justamente, relacionados à falta de autenticidade.


"Curioso paradoxo: quando me aceito como sou, posso então mudar."
(Carl Rogers)


Esquivar-se de um problema é um comportamento comum e, quando se trata de um problema externo, às vezes até conseguimos escapar de enfrentá-lo. Mas e quando é interno (pessoal e intransferível), para onde o empurramos? Ou melhor, é possível empurrá-lo?

O processo de aceitação é fundamental para que o coaching tenha qualquer resultado. O entendimento sobre a realidade individual e a compreensão sobre os limites também individuais, fazem com que o desejo de mudar não seja utópico. É essencial que o desejo de mudança esteja associado à vontade de ser melhor e não de ser outro.

O coach tem o papel de estimular a autenticidade.

O processo em si, não muda a pessoa, mas o despertar para a necessidade da mudança acarreta a busca dos recursos pessoais e transforma o coachee (cliente) num agente de desenvolvimento das suas próprias habilidades.


Eu acredito no ser humano e o contrário seria no mínimo incoerência. O coaching tem o desafio de provocar o profissional a doar-se inteiramente, a usufruir do máximo de seu potencial e instrumentá-lo para que ele alcance este objetivo.



“Se fôssemos eleger uma maneira menos usual de apresentação, ousaríamos dizer que somos andaimes emocionais para elevar pessoas ao topo de suas plenitudes.”
(Ana Clara Tissot)


Por Douglas Duarte