Apesar da projeção social do coaching na atualidade, percebo que
ainda existem muitas dúvidas sobre sua prática e história. Durante os últimos
trinta anos, o processo de coaching
passou por uma crise – crĭsis, “momento
de decisão, de mudança súbita” – que fez com que ele fosse estudado sistematicamente
para aprimorar suas técnicas, validar e comprovar sua eficácia.
A palavra coaching, traduzida literalmente, significa treinamento. Este termo
foi durante muito tempo usado, quase que exclusivamente, no contexto esportivo.
Este modelo começou a ser adotado pelo mundo dos negócios na década de 1960.
Apesar de toda evolução da
técnica, os “treinadores de carreira” não são mágicos, não tem super-poderes e
não criam habilidades. Não somos responsáveis, nem seríamos tão pretensiosos,
por transformar um cliente (coachee) numa
outra pessoa, ao contrário, muito dos conflitos na carreira estão, justamente,
relacionados à falta de autenticidade.
"Curioso paradoxo: quando
me aceito como sou, posso então mudar."
(Carl Rogers)
Esquivar-se de um problema é um
comportamento comum e, quando se trata de um problema externo, às vezes até
conseguimos escapar de enfrentá-lo. Mas e quando é interno (pessoal e intransferível),
para onde o empurramos? Ou melhor, é possível empurrá-lo?
O processo de aceitação é
fundamental para que o coaching tenha
qualquer resultado. O entendimento sobre a realidade individual e a compreensão
sobre os limites também individuais, fazem com que o desejo de mudar não seja
utópico. É essencial que o desejo de mudança esteja associado à vontade de ser
melhor e não de ser outro.
O coach tem o papel de estimular a autenticidade.
O processo em si, não muda a
pessoa, mas o despertar para a necessidade da mudança acarreta a busca dos
recursos pessoais e transforma o coachee
(cliente) num agente de desenvolvimento das suas próprias habilidades.
Eu acredito no ser humano e o contrário
seria no mínimo incoerência. O coaching
tem o desafio de provocar o profissional a doar-se inteiramente, a usufruir do
máximo de seu potencial e instrumentá-lo para que ele alcance este objetivo.
“Se fôssemos eleger uma
maneira menos usual de apresentação, ousaríamos dizer que somos andaimes
emocionais para elevar pessoas ao topo de suas plenitudes.”
(Ana Clara Tissot)
Por Douglas Duarte