segunda-feira, 27 de abril de 2015

Balneário Camboriú, 27 de Abril de 2015. Manhã cinzenta, palco de dois suicídios.


Parece que a fragilidade do ser humano aumenta na medida em que o mundo tecnológico e científico se diz evoluir. Está tudo tão estranho...  O que antes era entendido como a última alternativa, hoje é tão comum. Segundo o relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde), foram registrados 11.821 suicídios no Brasil entre os anos de 2010 e 2012 (taxa de 6,0 para cada grupo de 100 mil habitantes). De acordo com o Mapa da Violência, Santa Catarina é o segundo estado em número de suicídios,
"O suicídio de de Dorothy Hale", de 1938 (Frida Kahlo). 
perdendo somente para o Rio Grande do Sul. Algo que me intriga, é que são justamente os Estados ditos com maior qualidade de vida do país – e na minha leiga opinião também seriam considerados, consequentemente, lugares com maior “qualidade de morte”. É um contraste incoerente, que muitas vezes se esconde pelo excesso de felicidade estampada por aí nas baladas, condomínios de luxo e colunas sociais.

Qual a relevância do dinheiro no meio disso tudo? E o consumismo, qual sua parcela de culpa?

Há que se considerar que o fenômeno suicídio é multicausal, portanto não podemos explicá-lo por um só fator, mas a sociedade consumista me parece eloquente dentre estes aspectos. Esta geração, de maneira geral, não sabe lidar com concertos. Tudo facilmente vira lixo, tudo é substituível. O diálogo é raro, não temos “tempo” para questionamentos, nem muito menos paciência (leia-se coragem) para enfrentar os conflitos. Se nos desagrada, simplesmente descartamos. O suicídio, em minha opinião, é a repetição deste mesmo comportamento. Num mundo onde tudo acontece imediatamente, é difícil aceitar que um problema não se resolva do dia para a noite, neste caso, a morte é a solução mais fácil.


“O suicídio demonstra que na vida existem males maiores que a morte.”
(Francesco Orestano, filósofo italiano.)





Por Douglas Duarte