Parece que a fragilidade do ser
humano aumenta na medida em que o mundo tecnológico e científico se diz
evoluir. Está tudo tão estranho... O que
antes era entendido como a última alternativa, hoje é tão comum. Segundo o
relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde), foram registrados 11.821 suicídios
no Brasil entre os anos de 2010 e 2012 (taxa de 6,0 para cada grupo de 100 mil
habitantes). De acordo com o Mapa da Violência, Santa Catarina é o segundo
estado em número de suicídios,
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| "O suicídio de de Dorothy Hale", de 1938 (Frida Kahlo). |
perdendo somente para o Rio Grande do Sul. Algo
que me intriga, é que são justamente os Estados ditos com maior qualidade de
vida do país – e na minha leiga opinião também seriam considerados, consequentemente,
lugares com maior “qualidade de morte”. É um contraste incoerente, que muitas
vezes se esconde pelo excesso de felicidade estampada por aí nas baladas,
condomínios de luxo e colunas sociais.
Qual a relevância do dinheiro no
meio disso tudo? E o consumismo, qual sua parcela de culpa?
Há que se considerar que o
fenômeno suicídio é multicausal, portanto não podemos explicá-lo por um só
fator, mas a sociedade consumista me parece eloquente dentre estes aspectos. Esta
geração, de maneira geral, não sabe lidar com concertos. Tudo facilmente vira
lixo, tudo é substituível. O diálogo é raro, não temos “tempo” para questionamentos,
nem muito menos paciência (leia-se coragem) para enfrentar os conflitos. Se nos
desagrada, simplesmente descartamos. O suicídio, em minha opinião, é a
repetição deste mesmo comportamento. Num mundo onde tudo acontece imediatamente,
é difícil aceitar que um problema não se resolva do dia para a noite, neste
caso, a morte é a solução mais fácil.
“O
suicídio demonstra que na vida existem males maiores que a morte.”
(Francesco
Orestano, filósofo italiano.)
Por Douglas Duarte
