segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Entre a tragédia e a essência



Professora de natação formada em Educação Física pela UFMS, Ellen Duarte adora ler romances, ficções, livros cristãos e ouvir Elvis Presley.  Rubem Alves disse a respeito dos guerreiros ternos, que endurecem sem perder a ternura, e eu a vejo exatamente assim - contraste entre a força e a doçura. Além de prima é uma grande amiga que se faz presente em todos os momentos da minha vida. Determinada, num futuro próximo será minha colega de profissão.






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Entre a tragédia e a essência



Às vezes o que eu vejo quase ninguém vê...


Recentemente, em meio a uma conversa corriqueira, um amigo disse que a tragédia humana me atraia. Confesso que até aquele momento isso não me era consciente, mas hoje admito: ele tem razão. A dor, o sofrimento, a tragédia das más relações humanas... isso certamente me atrai.

Atraio-me pela tragédia por acreditar que é possível ameniza-la, me atraio pelos feridos porque acredito numa humaninade solidária e amável; ainda deve haver no mundo seres humanos que amem ao próximo e estejam dispostos a ajudá-lo.

É, esses seres humanos devem existir....

Mas eu me atraio pela dor, lembra? Pois bem, o que te posso dizer é que as más relações interpessoais estão se sobressaindo cada dia mais; você conhece o termo violência doméstica? No Brasil a violência que mais acomete mulheres, crianças e adolescente, ocorre dentro dos lares (DAY et al, 2003), e a violência nas relações de casais é tamanha que já é aceita como endêmica (BRASIL, 2011).

Você sabia?

No Brasil, a cada dia são reportados ao disque denuncia (100), cerca de 129 casos de violência, isto é, a cada hora cinco casos contra meninos e meninas são registrados no país (UNICEF); também a cada uma hora morre uma criança queimada, torturada ou espancada pelos próprios pais (FUNDAÇÃO ABRINQ).

Existe ainda uma classificação consideravelmente nova que é a violência intergeracional, de acordo com estudos, as crianças que hoje são vitimas — diretas ou indiretas — de violência doméstica, tendem a se transformar nos adultos agressores/violentadores de amanhã (GOMES et al 2007; AGUIAR, 2013; MATOSO et al 2014;  RANGEL et al, 2011).

E então... Diante disto, aquela frase clichê assume um peso diferente: violência gera violência (sim).

Meu sonho é que conhecendo a tragédia humana, possamos nos dedicar a amenizar a dor dos que sofrem, e ajudá-los a quebrar esse triste ciclo chamado violência. A tomada de consciência a respeito da tragédia destas relações humanas pode ser o despertar do ser humano solidário e amável que Deus te criou pra ser.


... e eu sei que você sabe — quase sem querer — que eu vejo o mesmo que você.



Por Ellen Duarte.