Professora de natação formada em Educação Física pela UFMS, Ellen
Duarte adora ler romances, ficções, livros cristãos e ouvir Elvis Presley. Rubem Alves disse a respeito dos guerreiros
ternos, que endurecem sem perder a ternura, e eu a vejo exatamente assim -
contraste entre a força e a doçura. Além de prima é uma grande amiga que se faz
presente em todos os momentos da minha vida. Determinada, num futuro próximo
será minha colega de profissão.
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Entre a tragédia e a essência
Às
vezes o que eu vejo quase ninguém vê...
Recentemente, em meio a uma conversa corriqueira, um amigo
disse que a tragédia humana me atraia. Confesso que até aquele momento isso não
me era consciente, mas hoje admito: ele tem razão. A dor, o sofrimento, a
tragédia das más relações humanas... isso certamente me atrai.
Atraio-me pela tragédia por acreditar que é
possível ameniza-la, me atraio pelos feridos porque acredito numa humaninade
solidária e amável; ainda deve haver no mundo seres humanos que amem ao
próximo e estejam dispostos a ajudá-lo.
É, esses seres humanos devem existir....
Mas eu me atraio pela dor, lembra? Pois bem, o
que te posso dizer é que as más relações interpessoais estão se sobressaindo
cada dia mais; você conhece o termo violência doméstica? No Brasil a violência que mais
acomete mulheres, crianças e adolescente, ocorre dentro dos lares (DAY et al,
2003), e a violência nas relações de casais é tamanha que já é aceita como endêmica (BRASIL, 2011).
Você sabia?
No Brasil, a cada dia são reportados ao disque denuncia (100),
cerca de 129 casos de violência, isto é, a cada hora cinco casos contra meninos
e meninas são registrados no país (UNICEF); também a cada uma hora morre uma
criança queimada, torturada ou espancada pelos
próprios pais (FUNDAÇÃO ABRINQ).
Existe ainda uma classificação consideravelmente nova que é
a violência intergeracional, de
acordo com estudos, as crianças que hoje são vitimas — diretas ou indiretas —
de violência doméstica, tendem a se transformar nos adultos agressores/violentadores
de amanhã (GOMES et al 2007; AGUIAR, 2013; MATOSO et al 2014; RANGEL et al, 2011).
E então... Diante disto, aquela frase clichê assume um peso
diferente: violência gera violência (sim).
Meu sonho é que conhecendo a tragédia humana, possamos nos
dedicar a amenizar a dor dos que sofrem, e ajudá-los a quebrar esse triste ciclo
chamado violência. A tomada de consciência a respeito da tragédia destas
relações humanas pode ser o despertar do ser humano solidário e amável que Deus
te criou pra ser.
... e eu sei que
você sabe — quase sem querer — que eu vejo o mesmo que você.
Por Ellen Duarte.

