A tonsilite é dona de me
denunciar. Neste sentido sou previsível, meu corpo sempre avisa quando é hora
de sair do piloto automático. Por muito tempo as tonsilas palatinas me
irritaram, hoje nossa relação está mais amigável. Não discuto. Se elas começam
a inflamar eu tiro o pé do acelerador e faço uma revisão do trajeto.
Sempre fui falante, mas
também sempre tive filtros. Já perdi as contas das vezes que substituí o que eu
queria dizer, pelo que era mais confortável de se ouvir. E as tonsilas,
coitadas! Guardavam tudo até eu dissolver as frases não ditas com duas caixas
de amoxicilina e dezoito sessões de análise.
Pensei várias vezes em fazer
uma amigdalectomia, mas percebi que a solução não era retirar, era adicionar.
Acrescentei um pouco de egoísmo. O que eu precisava era cuidar de mim com a
mesma dedicação que cuidava dos outros. Hoje tenho isso como máxima: se cuidar
de pessoas faz parte de minha escolha profissional, que comece por mim.
Existem vários exemplos de tonsilas
inflamadas: engole o que pensa porque o chefe “bonitão” não aceita opinião
contrária, daí chega em casa e desconta na família. Não enquadra o cliente por
medo de perdê-lo, daí faz da equipe palco para estrelar todo poder que não pode
mostrá-lo. Não manda em casa, daí trata o funcionário como se fosse sua
propriedade.
A amigdalectomia é a
cirurgia da retirada das tonsilas. Em carreira, eu diria que é a perda de um cliente,
ou um bom funcionário, talvez de um amigo ou cônjuge.
(Por Douglas Duarte)
(Por Douglas Duarte)