“Mas o vazio tem o
valor e a semelhança do pleno. Um meio de obter é não procurar, um meio de ter
é o de não pedir e somente acreditar que o silêncio que eu creio em mim é
resposta a meu mistério.”
(Clarice Lispector, “A
Hora da Estrela”. Página 14)
Perdi bastante tempo procurando a resposta ao meu mistério. Enchi-me
de teorias, pessoas, bebidas, opiniões, crenças. Engraçado que cada nova
hipótese trazia consigo um alívio, uma sensação de que toda e qualquer dor cessaria
através da resposta. Eu achava que a completude estava nisto: quanto menores as
dúvidas, maior a proximidade do pleno. Mas comecei a ficar tão cheio, que o
efeito foi rebote. Vi-me perdido nas minhas próprias teorias. Passei a sentir falta
do vazio. É nele que encontramos quem realmente somos, quando silenciamos a voz
do outros e nos atentamos a nossa. O vazio nos permite a leveza. Nossa verdade
sobre nós mesmos é leve, só fica pesada quando nos olhamos com os olhos dos outros.
O outro não tem as respostas aos nossos mistérios, elas estão no vazio, por
isso ele se assemelha ao pleno.
Por Douglas Duarte